Ao contrário dos dias normais na Esplanada dos Ministérios, onde o fluxo de carros sempre é intenso, ontem quem ocupou as pistas foram os amantes do atletismo, na 3ª Maratona Brasília de Revezamento. A festa, promovida pelo Correio Braziliense, reuniu mais de 5 mil atletas. E, a exemplo das edições anteriores, a vitória no feminino ficou mais uma vez com um quarteto. A equipe da Upis conquistou o bicampeonato e garantiu o carro zero quilômetro. Formado por Lucélia Peres, Marizete Moreira, Marily dos Santos e Maria Zeferina Baldaia, que fazem parte da elite do esporte nacional, o time cumpriu o percurso de 42,195km com o tempo de 2h30min13s, recorde da prova na categoria.
Experientes em corridas de rua, as atletas campeãs, coordenadas pelo técnico Edilberto Santos Barros, da Assessoria Esportiva Vivaz Athletics, trataram logo de abrir vantagem sobre as adversárias nos primeiros quilômetros. A estratégia foi colocar Marizete no primeiro percurso, seguida de Baldaia, Marily e Lucélia.
O segundo lugar ficou com a equipe Obcursos (2h34min22s), de oito integrantes — Sabine Letícia, Simone Alves, Isabel Cristina, Gisele Barros, Marluce Queroz, Francilene Araújo, Josiane da Silva e Patrícia Lobo. A terceira colocação foi do Supercei/Poupex/Caixa/ Cruzeiro de Belo Horizonte (2h48min50s), com Rosiane Xavier, Maria Barroso, Luciene de Jesus e Letícia Pereira.
“Estou feliz de correr no aniversário de Brasília. Foi maravilhoso, e o fato de eu e Marizete sermos da cidade ajudou o público a torcer. Além disso, contamos com mais duas atletas de renome na nossa equipe”, destacou Lucélia. Ela também teve o apoio da mãe, Aparecida Peres, e do marido, Elismar Divino da Silva Peres.
Segundo Lucélia (Mizuno, ABC), apesar de ser um revezamento, a prova foi muito dura. “A gente acabou sentindo o peso, porque tínhamos responsabilidade com a equipe”, afirmou a atleta de 27 anos, que tem seu próximo foco no Campeonato de Fundo, uma prova de 10km, na sexta-feira, no Rio de Janeiro. Marizete (Caixa) concordou com a companheira de time. Para ela, a responsabilidade de correr em grupo sempre é maior do que no individual. “Como eu era a primeira a largar procurei abrir o máximo das concorrentes. Graças a Deus deu tudo certo”, ressaltou a corredora, de 34 anos.
Marily dos Santos (Mizuno), 31 anos, foi outra que gostou de prestigiar a festa de aniversário da capital e de poder se confraternizar com as amigas inscritas na equipe da Upis: “Ano que vem tem mais”. Agora, a atleta da cidade de Pojuca (BA) concentrará suas energias para a Maratona de São Paulo.
Na opinião de Maria Zeferina Baldaia (Pinheiros), 36 anos, o percurso da maratona de revezamento foi bem ao seu estilo, ou seja, com trechos de subida, descida e plano. “Adorei o circuito. É bem do jeito que treino em Sertãozinho, no interior de São Paulo. Além disso, o clima também é similar: seco e quente”, definiu Baldaia. “Estou arrepiada com a nossa vitória. É uma sensação única, afinal, já corri aqui na cidade em pelo menos seis oportunidades e esta é apenas a segunda vez que consigo completar a prova.”
O técnico do time da Upis, Edilberto Barros, disse que montou uma equipe forte, mas ressaltou que o risco de perder existia. “As adversárias tinham bastante experiência. Disputamos até contra uma atleta que esteve nos Jogos Pan-Americanos (2007) e levou ouro nos 3.000m com obstáculos, a Sabine Letícia, do Obcursos. Valeu o esforço das meninas. Agora é só alegria”, declarou.
Simone Alves, da equipe vicecampeã, confirmou que a briga na pista foi boa. Porém, quando a Upis começou a abrir vantagem não teve jeito. “Mesmo assim estamos felizes com a segunda colocação. O importante é que o esporte é uma festa, ainda mais com o apoio do público.”